sábado, 20 de julho de 2013

A esperança morre


 
                                                                              Silvia Grav

Dizem que a esperança é a ultima que morre. Deus que me livre! Mata logo isso! Porque bom mesmo é não ter esperança. É não esperar. A esperança cria essa expectativa em torno de algo que não se pode controlar. Causa sofrimento e angustia.
Sabe, uma das coisas que minha mãe tentou me ensinar mas eu obviamente não aprendi com ela e sim com a vida foi não esperar. Ela me via chateada com alguém por não me agradecer o presente ou o cuidado que tive com ele. Ela me dizia “Filhota, as pessoas são diferentes, você não pode esperar que ele se comporte da maneira que você se comportaria na mesma situação.” Com o tempo eu incorporei isso. Aliás, hoje em dia são pouquíssimas as pessoas que se comportam como eu. E eu não sofro mais com isso. Mas ai vem essa tal de esperança me roubar a paz. “Mas e se..?” é o que eu me pergunto. Outro problema que eu criei ao longo da minha vida (falo como se eu já tivesse vivido muito!) foi essa liberdade. É verdade, ela é linda. Também é verdade que eu busquei por ela e que eu sou melhor por causa dela. Mas às vezes ela me mete em armadilhas. Veja você que eu me permito demais. Me permito viver, me permito sentir e me permito sonhar. E essa fantasia toda me leva a ter esperança. E a esperança me dói.
Está bem, vamos ser objetivos. Eu e você estamos fugindo de um diálogo honesto e sincero porque sabemos que ele é difícil. Acho que tenho medo de pontos finais e você de recomeços. A questão é que eu não quero ter esperanças, mas eu tenho, e sempre vou ter, porque ela é inerente ao ser humano. No entanto eu até administro isso bem. Mas as coisas fogem completamente do meu controle quando eu acho que você tem esperança ou quando você me dá uma ponta de esperança qualquer. Nós dois sabemos que estamos brincando com fogo. Nós dois sabemos que é perigoso e isso torna as coisas ainda mais interessantes, não é? Foram dois momentos: 1. Seu descontrole naquela noite. Seu desabafo de admiração. Seu desejo de que a vida tivesse sido diferente, que você tivesse me conhecido antes, de ser meu namoradinho da faculdade, de viver um amor adolescente comigo. Isso me surpreendeu. 2. Vc entendeu errado a mensagem no celular (ato falho?) e respondeu algo novamente inesperado pra mim. Eu não estava te pedindo em namoro (de novo). E sua resposta foi como se pedisse tempo para pensar. Desde quando isso virou uma possibilidade, mesmo que remota?
Essa esperança me mata! Eu não quero tê-la porque ela me machuca. Eu gosto de ouvir você dizer que não tem escolha. Porque essa é sua escolha. E se você decidiu, tá decidido. Eu não quero te causar problemas. Eu gostei de ouvir sua resposta pra minha pergunta. “você quer namorar comigo?” “Seria lindo, seria enorme”. Você me disse não da maneira mais linda que poderia dizer. E eu entendi. Nunca seremos (Capitão Nascimento? Uma piadinha).
O que eu quero, é que você me explique de mansinho e com cuidado que não há esperança.

Quero que você entenda que você é a única pessoa que eu conheço que se comportaria como eu na grande maioria das situações. Que pensa como eu sobre quase tudo. Você é muito parecido com o homem eu quero pra mim, para minha vida. Você me completa numa forma muito parecida com a forma completa. O amor que eu sinto por você é velho, porque eu te amei desde a primeira conversa até hoje. Saiba também que eu aprendi o quão confortável é viver longe de você. Porque perto de você eu te quero demais. E é difícil lidar com esse sentimento tão grande. Mas eu sinto saudade de não te ver tanto e eu não quero que você se afaste porque não há dor nem amor tão grandes que nunca acabem. No entanto, agora, parece que eu vou te amar para sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário