Atitude
e graça são duas qualidades inerentes ao Cearense. “É cabra da peste sim
senhor.” Uma gente simples que transborda requinte e bom gosto. Tão humildes
que sobram em sabedora. Um povo profundo e
livre, demasiado livre.
O
Cearense tem atitude, ele não sabe não ter. Ele é o que é, goste ou não goste.
É “arretado” mesmo. Fala o que pensa do jeito que sabe. E como sabe... Povo
trabalhador, não teme o sol nem o suor. Do mais pobre ao mais rico, você há de
escutar “o trabalho enobrece o homem”. Tem horror a vagabundagem, a
malemolência, ao ócio. Tem pavor do espertalhão que só quer se dar bem. Ninguém
“só se dá bem”. Só se
colhe o que se planta. “Tem que honrar as calças que ti vestem, homi.” Tem que
honrar, fazer por merecer. É assim que é. Se você é estudante, sua
responsabilidade é cumprir horários de estudos, tirar notas boas, se esforçar
ao máximo. Você não tem que ser o melhor da turma, não tem que se destacar, mas
tem que merecer o livro que lê, a roupa que veste, o almoço que come e a cama
que dorme, era o que meu pai dizia e minha mãe
apoiava. Se é trabalhador então, nem preciso falar. Tem que atuar, não
pode passar batido. Pode fazer o mesmo que mil pessoas, mas tem que ter a sua
assinatura em algum lugar. O Cearense é único. Sua atitude está em tudo. No seu
jeito de vestir, de andar, de comer, de falar, de namorar, de cantar e dançar.
Dispensam até o português. Língua para eles tem que ser própria, reinventada e
“mudernizada” a cada geração, sem perder o fôlego de roça. Música, nem se fala.
Ele tem um tipo tão forte e permanente que de tão seu, o resto do Brasil
inteiro entendeu e resolveu cantar do seu jeito. O Forró é forró em qualquer
lugar. E a gente dança tudo, do jeito que der. Gente autêntica de pé no chão. E
digo isso como figura de linguagem, pois são todos calejados de ilusão. Sonham,
claro, quem não sonha? Mas acostumados a madrugar para trabalhar, deixam o
sonho só para sonhar mesmo. Atuam, diariamente, atuam. Fingem não sentir dor,
imitam o forte. E tomam as rédeas da vida. Traçam o caminho. Nenhum caminho os
levam desavisadamente. Fazem escolhas marcadas, avisadas e arcam com todas as
consequências. Todas. Boas e ruins. Principalmente as ruins. Porque a vida não
tem que ser só boa não. Ela não pode ser só boa não. Eles têm autêntica atitude
diante da vida que é dura e boa demais.
O
Cearense tem graça. É como eles amolecem a dureza da vida. Um povo pra lá de
descontraído. Todas as pessoas mais engraçadas
que já conhecei são Cearenses. A graça tá na careta, no modo de dizer,
na safadeza descarada, no jeitão cheio de propriedade de ser misturado com
palhaçada escancarada, teatral, circense. É graça leve mesmo, não agride
ninguém, não humilha, e não há quem se sinta ofendido, muito embora não tenha
nenhum que escape das garras afiadas desse humor. Têm a graça da simplicidade
faceira. Gente cheia de ideias para redescobrir o velho, reutilizar o que têm,
inventar moda. Povo com a graça da bondade, da compaixão, do sorriso no rosto,
sempre. A graça do anfitrião, aquele que se desdobra para receber bem, fazer
sentir bem, à vontade, em casa. A importância de se sentir em casa, como um Cearense
sente no Ceará. E não é pela terra não, é pela gente.
Eu
conheço quem tenha atitude, conheço quem tenha graça, mas tanta força e beleza
num só, só Cearense.

Será que é por isso que eu te amo tanto???
ResponderExcluir=)