Nada é feito para
durar. Muito embora possa continuar existindo, mas com função e
aparência diferentes.
Na maioria das vezes
não há desistência, nem abandono, nem decisão. O que há é a
necessidade, a pressão e a força que mudam as coisas que insistimos
em manter iguais.
As coisas passíveis de
mutação são todas: pensamentos, opiniões, sentimentos de amor ou
rancor, laços, hábitos, rotinas, amizades, climas, vidas.
A coisa que destrói é
na maioria das vezes a natureza. A natureza. A necessidade de acabar e
sumir para dar lugar a coisas novas. A pressão do tempo. Tempo.
Tempo. Tempo. A força da natureza (incluindo a humana) de seguir mudando.
As
paisagens mais naturais são as mais mutáveis. Muito embora isso não
signifique sempre uma perda de identidade: uma floresta pode permanecer sendo floresta por milhares de anos, no entanto, experimentar mudanças diárias, por vezes sutis, como uma plântula
pequena que surge, as vezes bruscas, como a queda de uma grande
árvore, porém constates e visivelmente transformadoras ao longo de anos.
Não posso me
desesperar! Não foi feito para durar. É só a criação do espaço
vazio para que o novo ocupe. E esse novo virá de forma
surpreendentemente reconhecida, porque substituirá o vazio de forma
inesperadamente natural e com sensação de velho. Porque se
olharmos com olhos de imortais, cada vez mais nós somos o que já
fomos, a vida cicla.
Em outras palavras: é
só saudade.

E o melhor é saber que caso apareça um vazio em nós, eu vou sempre estar aqui tentando preencher o seu e você o meu!
ResponderExcluirisso sim, amiga! te amo.
ExcluirDei minha viola num pedaço de pão
ResponderExcluirNum esconderijo e uma aguardente
Mas um dia eu arranjo outra viola
E na viagem vou cantar pra Madalena
Não chore não querida que este deserto finda
Tudo aconteceu e eu nem me lembro
Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo
Que logo no paraíso chegaremos
Fausto Nilo (romance no deserto)
Deserto é vazio. celeiro do novo. =)
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