quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nunca há sempre



Nada é feito para durar. Muito embora possa continuar existindo, mas com função e aparência diferentes. 

Na maioria das vezes não há desistência, nem abandono, nem decisão. O que há é a necessidade, a pressão e a força que mudam as coisas que insistimos em manter iguais.

As coisas passíveis de mutação são todas: pensamentos, opiniões, sentimentos de amor ou rancor, laços, hábitos, rotinas, amizades, climas, vidas.

A coisa que destrói é na maioria das vezes a natureza. A natureza. A necessidade de acabar e sumir para dar lugar a coisas novas. A pressão do tempo. Tempo. Tempo. Tempo. A força da natureza (incluindo a humana) de seguir mudando.

As paisagens mais naturais são as mais mutáveis. Muito embora isso não signifique sempre uma perda de identidade: uma floresta pode permanecer sendo floresta por milhares de anos, no entanto, experimentar mudanças diárias, por vezes sutis, como uma plântula pequena que surge, as vezes bruscas, como a queda de uma grande árvore, porém constates e visivelmente transformadoras ao longo de anos.

Não posso me desesperar! Não foi feito para durar. É só a criação do espaço vazio para que o novo ocupe. E esse novo virá de forma surpreendentemente reconhecida, porque substituirá o vazio de forma inesperadamente natural e com sensação de velho. Porque se olharmos com olhos de imortais, cada vez mais nós somos o que já fomos, a vida cicla.

Em outras palavras: é só saudade.

4 comentários:

  1. E o melhor é saber que caso apareça um vazio em nós, eu vou sempre estar aqui tentando preencher o seu e você o meu!

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  2. Dei minha viola num pedaço de pão
    Num esconderijo e uma aguardente
    Mas um dia eu arranjo outra viola
    E na viagem vou cantar pra Madalena

    Não chore não querida que este deserto finda
    Tudo aconteceu e eu nem me lembro
    Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo
    Que logo no paraíso chegaremos

    Fausto Nilo (romance no deserto)

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