(Schatz Howard_body-knots-224_l3
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A amizade que nasce pura. Afinidade, cuidado, carinho, troca. Muitas trocas graças as grandes diferenças. Se fortalece com o tempo. Diária, presente. Quando os encontros diários não são mais possíveis, o que acontecem são ligações telefônicas longas, infinitas, madrugadas inteiras, confissões. No dia seguinte já não lembrava o que tinha dito, adormecia ao telefone. As vezes nem lembrava de tê-lo atendido. Logo, ele a conhecia melhor que ela mesma. Ou talvez tenha sido sempre assim? Ah, o amor. O mais puro amor. A vida seguiu, e foi o amor quem ironicamente os separou. Ela, que tanto namorava, teve vários amores. Ela que tanto viajava, morou em tantos lugares. Mas nem outros amores, nem tempo, nem distância foram suficientes para os separar. Só o próprio amor! O amar dela permaneceu igual. O dele não, mudou. O dela permanece. O dele murchou, sumiu, mudou de novo? Ela não sabe. Já nem o vê mais. Não conversam mais. Não há mais telefonemas infinitos, nem confissões sussurradas na madrugada.
Há quem diga que ele confundiu as coisas. Ou foi ela que confundiu ao permanecer igual? Qual o caminho do amor? Ele cresce? Evolui? Qual o curso natural das coisas? Amar mais ou menos? Quando é que um amor se transforma de amizade, em amor de amantes? E por que transformar o amor em romance? Para quê cruzar a linha tênue entre o relacionamento que compartilha tudo menos corpo, para o que compartilha tudo? Seria por mania? Por fraqueza? Por carência? Há mesmo necessidade? Ela entende que há. Ela entende que se chega a um ponto em que a tensão entre duas pessoas é aquilo que lhes mantêm juntas ou às separa definitivamente. Disso ela entende bem, sendo ela, a que gosta de levar seus sentimentos às últimas consequências. No entanto, para ela, tensão pode ser desejo, mas nesse caso permaneceu laço apenas. Um nó. Que quando embola demais ou aperta ou desfaz.
E como é a visão dele da história? Ele que descobriu
que não podia mais continuar amando sem retribuição, pois ele se amava mais que
isso. Se libertou do sofrimento de amar calado, sozinho, confuso. Culpado?
Decidiu que era hora de cortar o laço. Cultivar o ambiente vazio de
expectativas para que pudesse então ser surpreendido. No que será que se
transformou aquele amor? Lembranças dormidas, magoa, dor, nada, carinho
nostálgico, auto entendimento, auto estima, fixação, substituição?
Quanto a ela, o deixou ir como quem se conforma em ter sido roubado, como quem dá com dó. O deixou ir com magoa sim, dor, tristeza. Mas também há nela um quê de quem deixa ir por amor e desejo de ele seja feliz, mesmo que longe, se é assim que tem que ser. Por isso ela não vai perguntá-lo onde está e o que foi feito daquele amor que existia antes do amor separador.
Mas o que ela não entende é como se desfaz um nó. Ela não sabe cortar laços. Menos ainda quer saber. Ela sabe guardar seus nós embaixo da garganta, sobre o tapete. Pelo menos ela acha que sim.
