quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Desejo cores e asas







Red- Rbin Breast by Emily Tan. https://www.etsy.com/pt/listing/216748510/red-robin-breast?ref=shop_home_active_3

           Acabou 2014. Efêmero como a vida. Desejo a vocês que me acompanham que não se prendam ao ano novo para se renovar. Que fatos, pôr e nascer de sóis, mortes e nascimentos, ou até mesmo um simples estalar de dedos possam ser oportunidades de recomeços. Desejo cores e asas para mim e para vocês.
Sinceros abraços,
Juliana Brasil

Um fato marcou a minha vida para sempre: eu nasci!... O resto foi uma mera sequência de acontecimentos, que já é passado.
Neste instante, vivo o presente (que ainda não é fato), que está sendo feito, que pulsa no ritmo do meu coração, que passa na velocidade do meu pensamento, cheio de lembranças, sonhos e, desejos... Tudo tão efêmero quanto a própria existência. Outro fato irá selar a minha vida...
Então, o mundo já não existirá para mim.
Autor: Luiz Colares



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Inventor do Amor




 

Desenho de Clara Veiga Carvalho, 10 anos. Publicado por Ana Virgínia Balloussier e Gabriel Cabral na Revista Folha de São Paulo em 14/12/2014

Clara Veiga Carvalho, 10 anos, espírita: “Deus criou a borboleta. Ela é bonita e feliz. Começa como se fosse um bicho horroroso, gosmento, e vira uma borboleta linda. É como o espírito que reencarna: você vai crescendo e evoluindo”.

Beatriz Dias Samuel, 8 anos, católica, diz que “no antigo tempo, não cortavam cabelo, então Deus tem cabelo longo. Deus estão no meio do coração de todo mundo. Eu rezo pra Ele deixar a gente ficar com um recreio um pouquinho maior"

Pietra Hanna Castanho, 10 anos, é evangélica e definiu: “Deus nos ama e nos ilumina. Ele me ajuda quando alguém briga comigo”.

Ariom Scheffler, 11 anos, budista, explicou: “Não tem um Deus físico, Deus é tudo e tudo é Deus”, disse. “Ele é feito de luz. O arco-íris, no budismo, representa uma pessoa com coração iluminado”.

Manuella Araújo da Costa, 10 anos, candomblé, afirmou que para ela Deus é Oxum. “Oxum é a santa que me protege. Ela tá no mato, para curtir a vida”.

Luke Saul Jospa, 9 anos, judeu comparou: “Para nós não tem inferno, só céu. Assim: vamos fingir que você está no teatro. Se foi uma boa pessoa, ficaria na frente, mais perto de Deus. Se foi uma ruim pessoa, ficaria lá atrás”.

Núbia Selassie Cestaria Granello, 6 anos, da religião rastafári e fala: “Ele é o meu coração e fica batendo em todos os momentos. Peço a Jah que o mundo fique bem limpinho. Sonhei que Jah estava no deserto e fazia todas as pessoas felizes".

Devota da religião União do Vegetal (dissidência do Santo Daime), Darah Cally Patrício, 8 anos, diz: “É muito legal beber (ayahuasca). Tem gente que vomita, mas eu não sinto medo, sinto amor. E vontade de rir muito! Já vi árvores falando comigo”.

Mohamed Hussein Abid Ali, 8 anos, muçulmano, deu uma resposta divertida: “Deus é tudo para mim”. Eu peço para ele deixar chover, mas as vezes não penso só na água... penso também em jogar Nitendo DS".

                Essas foram crianças de seis a onze anos de idade entrevistadas pela Folha de São Paulo sobre o que pensam de Deus e quais são os seus maiores pedidos.
                Enquanto eu continuo na minha busca, essas crianças já tem tudo resolvido! Grande parte da minha fé me foi ensinada como disciplina curricular, no colégio católico e tradicional onde estudei toda a vida. A educação católica me era muito natural, dentro de uma família católica apostólica romana exemplar. O amor por aquele Deus que me conhecia intimamente era genuíno e familiar. Dele eu nunca duvidei. Mas confesso que o segundo sacramento, a crisma, foi um ano de preparação que por vezes eu achei demasiado, insistente, desnecessário e cansativo. Eu não entendi tantos mistérios. A fé deu lugar a muitos questionamentos e a sensação de inadequação àquele sistema. Havia começado a rebeldia sem causa da adolescência. O amor pela ciência, o pragmatismo, a crítica aguçada,  a busca por respostas racionais e consistentes me fizeram desistir daquele Deus. Ele não cabia na explicação da evolução de Darwin, nas discussões da faculdade de ciências biológicas. Muito questionadora e curiosa, me habituei à metodologia científica, às teorias parcimoniosas e refutáveis. Eu não percebera ainda, mas ali teve início minha busca pelo preenchimento do  vazio que a ausência de fé deixara. Havia uma boa dose de incompletude na minha negação do divino; um abismo inexplicável entre a fé infantil e a razão sistematizada da adolescência.
                Minha adolescência durou muito. Só entrei na vida adulta aos 27 anos. E nessa longa adolescência eu mudei de ideia algumas vezes sobre Deus. O convívio com amigos que faziam parte de um grupo de jovens católico me virava ao avesso, eu me tornei uma menina desobediente, minhas ideias não concatenavam com a vida de servidão, nem com as regras pré-estabelecidas. Eu estava mais pro diabo: namorava sem culpa, bebia e fumava sem culpa e, apesar do egoísmo mimado, procurava não fazer mal a ninguém, ou a quase ninguém, e isso se tornou minha religião. Inventei um Deus próprio e neguei o catolicismo. Peguei gosto pela descoberta, e nada mais desbravador do que viajar: viajei por universidades e institutos de pesquisa pelo Brasil e tive uma oportunidade maravilhosa que me levou até os EUA. Lá foi outra grande mudança. Conheci a liberdade da disciplina daquela gente simplória do interior de Ames, Iowa. O esforço pelos amigos era quase religioso. Os jovens americanos que conheci viviam com uma ausência de confortos como eu nunca tinha experimentado. Junto com eles frequentei a igreja, o que fez muito sentido dentro daquela nova realidade. Encontrei em Deus a explicação pra minha sorte, meus vários anjos que cuidaram de mim em todas as minhas andanças longe de casa. Voltei mudada, disposta a ser feliz e fazer os outros felizes. Retomei a fé, passei a frequentar as missas de domingo com muito gosto, retornei ao balé, que eu tinha abandonado já fazia dez anos. Mas, não durou muito. Aquilo perdia o sentido dentro do contexto que eu estava inserida. Mais uma vez, minha busca por respostas me levou a negar Deus. De novo, inventei um Deus próprio para quem eu apelava nos momentos difíceis, mas também durou pouco. A lógica do mundo passou a ser apenas ação, reação e sorte, e isso me preencheu por um tempo. Eu achava não precisar de nenhum Deus.
                Por pensar assim, nada era proibido, desde que eu não causasse mal a ninguém, e a contínua necessidade de entender a vida além da explicação científica me levou a procurar outras religiões. Espiritismo, Umbanda, tudo que era possível visitar me interessava, descobri beleza em tudo. Todas fazem sentido, dentro de uma lógica própria, mas mesmo assim, não achei a fé.
                Esse texto não tem desfecho porque continuo nessa busca. Meu caminho agora é a yoga, textos de monges tibetanos, budismo indiano... Podem me chamar de confusa! Posso não saber onde estou indo, mas, se eu caminhar o suficiente, devo chegar a algum lugar.

                Nesse momento vou simplificar e dizer que Deus é amor, E o que é amor?
Abaixo transcrevo algumas definições de amor por crianças de quatro à oito anos coletadas numa pesquisa feita por profissionais de educação e psicologia (Autor desconhecido):

"Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos“ Mathew, 6 anos.

"Quando minha avó pegou reumatismo ela não podia te debruçar pra pintar as unhas dos pés desde então é meu avô que pinta pra ela mesmo ele tendo artrite." Rebecca, 8 anos.

"Amor é quando uma menina coloca perfume e o garoto põe loção de barba do pai e eles saem juntos e se cheiram. “ Karl, 5 anos.

"Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras" Lauren, 4 anos.

"Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, mesmo conhecendo-se há muito tempo" Tommy, 6 anos.

"Quando alguém te ama a forma de falar seu nome é diferente.“ Billy, 4 anos.

"Amor, é quando você oferece suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te oferece as batatinhas dela.“ Chrissy, 6 anos.

"Amor é o que está com a gente no Natal, quando você pára de abrir os presentes e os escuta" Bobby, 5 anos.

"Se você quer aprender a amar melhor, você deve começar com um amigo que você não gosta“ Nikka, 6 anos.

"Amor é quando você fala pra alguém alguma coisa ruim sobre você e sentimento que essa pessoa não ame mais você por causa disso ai você descobre que ela continua te amando e ate te ama mais ainda. “ Ssmantha, 7 anos.

"Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de Deus, mas o amor de Deus junta os dois“ Jenny, 4 anos.

"Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso e ainda fala que ele é
mais bonito que o Robert Redford“ Chris, 8 anos.

"Durante minha apresentação de piano vi meu pai na plateia me acenando e sorrindo e era a única pessoa de quem eu não sentia medo.“ Cindy, 8 anos.

"Amor é você falar pro menino que camisa linda você ta usando e daí ele passa a usar a camisa todo dia." Noelle, 7 anos.

"Não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando realmente o sintamos. E se sentimos, então deveríamos expressá-lo muitas vezes. As pessoas esquecem de dizê-lo" Jessica, 8 anos.

"Amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer não“ Patty, 8 anos.

"Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro“ Mary Ann, 4 anos.

"Quando você tem amor por alguém seus olhos sobem e descem e pequenas estrelas saem de você.“ Karen, 7 anos.

"Deus poderia ter dito palavras mágicas pros pregos caírem do crucifixo mais ele não disse, isso é amor.“ Max, 5 anos

Referências
1) Matéria da Folha de São Paulo, publicado na revista eletrônica Serafina no dia 14/12/2014, por Ana Virgínia Balloussier e Gabriel Cabral, São Paulo.
http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2014/12/1560920-criancas-de-9-religioes-diferentes-desenham-seu-jeito-de-encarar-deus.shtml?cmpid=%22facefolha%22
 2) Redação da Revista eletrônica Catraca Livre em 14 de junho de 2014 às 10:12.
https://catracalivre.com.br/geral/rede/indicacao/criancas-definem-o-que-e-amor/

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Cachorro da Baleia





Tenho esse problema de memória fraca. Juro que vou relatar aqui absolutamente toda a memória que tenho da infância. O pouco que me lembro do passado, não importa se há muito tempo passado ou pouco, eu não sei se é invenção ou fotografia antiga que já vi e inventei memória a partir daí. Deve ser isso mesmo.

         Lembro-me de mim, ainda bebê, no meu quarto azul, de móvel azul com muitas gavetas. Além do quarto azul, sempre tive cabelo curtinho igual a de menino. Mamãe queria que eu fosse homem. Lembro-me de dias cinzas e de não respirar bem, de tossir. Lembro-me de um barulho de trem ou avião que eu ouvia do quarto, era marcante e frequente. Lembro-me do zoológico. Eu andava animada por lá, via a girafa, o leão, os macacos. Quando criança eu morava em São Paulo, isso explica a bronquite dos dias frios e da poluição. Lembro-me que recebíamos amigos dos meus pais em casa. Lembro-me do cachorro  Derik, um samoieda lindo, todo branco, que me fez companhia. Sempre gostei mais de bicho que de gente. A gente se entendia melhor. Talvez porque eu não era boa de papo, não fazia amigos facilmente. Faz pouco tempo que isso mudou. Lembro-me de fazer bagunça na sala. Uma vez eu me lambuzei inteirinha de Hipoglos, comi o tubo inteiro da pomada! Delícia! Lembro-me de uma mulher negra e cheirosa que me carregava no colo e me entregava para minha mãe, quando ela me buscava na creche. Lembro-me do cheiro de éter do meu pai, empestava a casa toda quando ele chegava. Eu adoro aquele cheiro característico de hospital.

          Não tinha muito sol nem praia nem família, tudo isso eu só conheci depois. Já em Fortaleza, eu tinha endereços certos todos os dias: escola, natação, balé e, aos sábados, íamos à praia e depois ficávamos até de noite na casa do tio Beto Jorge. Os adultos reunidos numa mesa redonda, fora da casa, no jardim. Uma vez voltei ofegante da brincadeira para descansar no colo do meu pai e tomei de um gole só o copo de água na frente dele. Cuspi tudo no susto. Isso é vodka, minha filha! Riam alto todos na mesa, inclusive meu pai, que me deu coca-cola em seguida, enquanto eu lacrimejava com o rosto vermelho.

          Depois do divórcio, passávamos os domingos juntos também. Meu pai e eu. Sempre jantávamos em algum lugar. Meus favoritos eram o Parque Recreio e um outro que não lembro o nome, mas não esqueço a sobremesa de sorvete com calda dura de chocolate que eu quebrava com as duas mãos e a colher, antes que coubesse na boca. Conversávamos francamente sobre tudo, eu me sentia adulta quando éramos só nós dois. Alguns domingos, almoçávamos no Iate Clube, onde uma vez eu parecia me afogar na piscina, mas era brincadeirinha. Eu imaginava que eu era uma sereia presa dentro de um aquário, querendo sair.  O salva-vidas me viu debatendo dentro d’água, mergulhou e me puxou, e me pôs no colo do meu pai, que estava muito próximo de mim, mas de costas. Ficou com uma cara de tacho, coitado. Eu chorava do susto e da vergonha, ele preocupado e envergonhado me consolava. Depois da piscina, nós almoçávamos filé com fritas e, por fim, um mousse de maracujá. Depois eu escondia a colher (de metal, pesada) da sobremesa no jardim, que era uma floresta encantada onde eu era uma princesa que conversava com as árvores e precisava enterrar o tesouro dos piratas.

           Nas quartas-feiras, papai nos levava de manhã ao colégio, entrava e ficava uma meia hora lá, sentado ao nosso lado, até a hora de formar a fila para entrar na sala, quando ele se despedia. Eu gostava das quartas, mas geralmente não falávamos nada, e isso era estranho. Acho que ele é mal-humorado pela manhã.  Costumávamos viajar muito, sempre de carro, para alguma praia no Ceará ou no Piauí ou no Rio Grande do Norte. Uma vez, na Praia da Baleia, eu bem pequena, não usava o sutiã do biquíni. Como era de costume interagir com animais e não com gente,  me divertia observando aqueles "insetos fantasiados de búzios" na areia, até encontrar um cachorro sem dono que julguei ser meu amigo. Brincávamos de pega-pega até o momento em que o cachorro não gostou de alguma coisa que eu fiz, rosnando para mim, me deu uma carreira e me mordeu a bunda, quase arrancando meu biquíni. Abri um berro e corri para me esconder atrás da mamãe. Até hoje me lembro disso, como na imagem do protetor solar da Coppertone.

        Mamãe me dava tapas na mão se eu fizesse algo errado duas vezes. A primeira vez que menti e fui descoberta, levei tapinhas na mão, mas o meu pai não me deixou de castigo nem brigou nem nada, só disse estar decepcionado comigo. Com isso, me fez chorar muitas noites, de vergonha e medo de que ele deixasse de me amar.

          Um pouco maior, eu vivia muito preocupada com minhas irmãs. Por ser a mais velha, me sentia responsável por elas. Um dia na barraca (do Loiro) de um restaurante na Praia do Futuro, ouvimos um tiro, muito próximo. Corremos todos para perto do mar, muito assustados; eu tremia e minhas irmãs choravam. Papai estava pálido, mas tentava nos acalmar. Foi um louco que, numa discussão com a mulher, sacou a arma e atirou para cima. Por sorte não feriu ninguém, aquele idiota! Mas isso não afetou nossa rotina. Lá eu comia caranguejo todo sábado. O nosso era especial. Papai ligava  e já avisava quantos queria.  O Loiro escolhia os melhores caranguejos da casa e reservava. Esse garçom, amigo, costumava fazer a conta de cabeça enquanto o papai tentava atrapalhar falando números aleatórios perto dele. Lá mesmo foi onde aprendi a beber cerveja, bem antes dos 18 anos, pra não "passar sufoco". Meu pai queria que eu soubesse beber para me proteger. E em quem não bebe ele não confia jamais. Deve ter algo a esconder, ele diz.

Gostava de almoçar com minhas irmãs vendo Garfield e, mais velhas, preferíamos o Bob Esponja. Legal era ficar na janela do carro, e eu sempre ganhava a disputa. Apesar de sermos três, eu nunca ia no meio do banco traseiro, impunha minha autoridade de mais velha, chata, e escolhia primeiro meu lugar. Seu Edivaldo, o motorista, se sentia meio pai das três, muito responsável, cuidava como se fôssemos dele. Não gostou nem um pouco quando comecei a namorar e ele era obrigado a levar o garoto no carro pra minha casa. Fazia uma cara feia! As figuras masculinas ocupam um espaço considerável na minha memória. Freud explica.

        Papai tem frases celebres: retardada, oligo!; ah, uma jaula!; Piorou muito!; Pula, toby, pula!; Mestrin, uma cerveja!; Bom "dê- mais"!; Lá vem a lua nascendo, redonda como um tamanco, sai do "mei" dona Maria, se não a vaca te pega! Eu usava desse palavreado como se fosse natural chamar alguém de oligo ou o garçom de Mestrin. Já não tinha muitos amigos, e ainda perdi alguns  até perceber que chamar alguém de "retardada" é ofensivo. 

        Lá em casa só quem sabe dançar sou eu. O papai é a própria personificação da falta de ritmo, minhas irmãs também não engataram nem balé nem jazz. Devo ter puxado à mamãe. Mas, "pera um pouco", nunca vi a mamãe dançar! Se quer me lembro dela batendo pezinho, acompanhando uma batida. Bom, ainda bem que eu não escolhi ser bailarina, vai ver eu também não sei dançar. Decidi ser cientista para um dia descobrir uma cura para uma doença qualquer, que meu pai, como médico, poderia tratar. Virei cientista de planta, mas tudo bem, porque cirurgião plástico não trata lá muitas doenças mesmo. Mas esse texto é sobre infância e isso daqui já é vida adulta, ou pelo menos deveria ser.